Não foi pela excelência na administração hospitalar que o governador Gladson Cameli anunciou o militar Lauro Ferreira Melo como próximo presidente da Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre).
Certamente foi porque quer transformar a pasta do “cartel” em um “quartel”.
Se competência, excelência e eficiência fossem critérios, o tenente-coronel do Exército ficaria longe do solo acreano.
Ferreira Melo assumiu a provedoria da Santa Casa de Pelotas (RS) em abril de 2017. Chegou ao município gaúcho em 2013, para comandar 9º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIMtz).
O mandato do militar se encerrou este ano e não foi nada profícuo.
Como legado, Ferreira Melo deixou o caos. O dilúvio.
Os servidores da Santa Casa de Pelotas estão há três anos recebendo os seus salários parcelados.
Instituicão centenária, fundada em junho de 1847, a Santa Casa de Pelotas passa, segundo a imprensa gaúcha, pela pior crise da sua história.
O futuro presidente da Fundhacre deixou a instituição com uma dívida de quase R$ 90 milhões e a atual administração tenta um empréstimo junto ao Banrisul.
Atualmente, os funcionário do hospital estão em greve. Haviam recebido, até ontem, 24% dos salários de julho e estão sem nenhum valor do vale-transporte.
A folha de pagamento mensal do hospital é de R$ 2,8 milhões para os 1.030 funcionários.
A instituição possui 300 leitos para o Sistema Único de Saúde (SUS), e é referência para mais de 20 municípios da região.
Em fevereiro deste ano, a Santa Casa, ainda comandada por Ferreira Melo, deixou de fazer atendimentos no setor de traumatologia por tempo indeterminado. Também cancelou as cirurgias eletivas.
Natural do Rio de Janeiro, o coronel tentou se eleger vereador nas eleições de 2016 pelo PP, o mesmo partido do governador Cameli.
Teve uma votação pífia. Obteve apenas 854 votos.
O povo de Pelotas, ao contrário do governador, conhece o coronel.

