
Ao longo da vida há amigos que, como diz a clássica música “Canção da América”, que são para se guardar no lado esquerdo do peito, dentro do coração.
São amizades que transcendem ao tempo e possibilitam a confiança extrema, a ponto de um emprestar dinheiro ao outro sem o risco de sofrer calote.
Essa parece ser a relação do vice-governador Wherles Rocha (PSDB) com alguns dos seus assessores.
São laços que se iniciaram na lida militar e foram trazidos para a política.
Rocha demonstra tem uma amizade grande com o seu assessor, também militar da reserva, Etevaldo Marçal.
Somente uma amizade e uma confiança excessiva para justificar a transferência de valor alto de uma conta corrente de um para outro.
No dia 28 de agosto, segundo extrato bancário obtido pelo Portal do Rosas, Etevaldo Marçal depositou a quantia de R$ 5 mil na conta de Wherles Rocha.
A transferência ocorreu na data em que os servidores do Estado receberam os seus proventos.
Assim como o vice-governador, Marçal é militar reformado e acumula o salário de capitão – R$ 11.988,79 – com o de diretor do Gabinete do Vice-governador – R$ 16.230,00 .
É uma ótima renda, que permite muito bem contrair um empréstimo com o chefe e pagar.
Além dos salários, o capitão reformado faz viagens com Rocha.
Poucos dia depois de ter depositado os R$ 5 mil na conta do vice-governador, o assessor foi a Brasília e recebeu, coincidentemente, R$ 5. 196,60, em diárias.
O extrato bancário foi obtido em processo que corre na 5ª Vara Cível, onde o vice-governador foi condenado a indenizar o ex-governador Tião Viana.
Com a conta bloqueada, Rocha apresentou extrato para provar que a sua única renda é proveniente de salários, que superam os R$ 50 mil.
Essa história de empréstimo, sem sempre dentro da legalidade, -sem querer acusar ilegalidade no caso em tela – ficou mais conhecida no Brasil a partir do surgimento de transações suspeitas do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz.
Pego com movimentações que superaram os R$ 2 milhões, Queiroz não teve como justificar o patrimônio e apontou para ilícitos envolvendo a família do presidente da República, Jair Bolsonaro.
A proximidade do ex-assessor com o clã do presidente revelou-se tanta, que até a primeira-dama do país recebeu R$ 25 mil por meio de uma transação envolta em mistério e até hoje sem a justificativa plausível.
Quem exerce uma função pública como o vice-governador não tem apenas que ser sério. Tem que parecer sempre sério.
Um depósito dessa natureza, embora possa ser legal, tem que ser explicado à sociedade.

