
Na saúde pública de Gladson Cameli nada é tão ruim que não possa piorar.
Outubro é o mês em que o caos pode fazer morada definitiva no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb).
Por pura negligência, pacientes podem vir a óbito por falta de profissionais capacitados para fazer o atendimento.
No dia 31 deste mês, mais de 60 profissionais com contratados emergencialmente ficarão sem contratos. São médicos e enfermeiros, em sua maioria.
Atualmente, como não têm garantia de recebimento, esses profissionais estão recusando-se a fazer plantão extra.
A recusa, segundo um desses profissionais, já abriu lacunas importantes e preocupantes da escala.
“Não iremos confiar, fazer plantão e não receber. Sem contrato, o governo não terá como nos pagar”, comentou um enfermeiro que pediu o anonimato por medo de represálias.
O que poderia ter minimizado o problema, não se efetivou. Até agora, nenhum dos aprovados no concurso simplificado da Saúde foi chamado.
Mesmo que aja o chamamento, os aprovados terão 30 dias para apresentarem a documentação e mais cerca de 10 dias para tomarem posse.
A renovação dos contratos emergenciais não tem chancela da Procuradoria-Geral do Estado.
A direção do Huerb já trabalha com déficit grande em outubro. A previsão é que, em novembro, a situação piore muito.
É certo que este mês faltará médicos em setores críticos, como anestesistas no centro cirúrgico, ortopedista e médico intensivista.
“Pessoas vão morrer. E parece que ninguém se responsabiliza por isso”, alertou o profissional que entrou em contato com o Portal do Rosas.
Descasos como esses levam à conclusão de que o governo prepara o terreno, por meio do caos e perda de vidas, para justificar a terceirização da Saúde acreana.
