Com a eleição de Tião Bocalom quase sacramentada no próximo domingo, abro um parênteses para falar dos perdedores.
Tentando posar de vitoriosa, boa parte dessa turma quis fugir da balsa e pulou na candidatura do candidato favorito.
O salto oportunista não lhes isenta do carimbo de derrotados.
Inicio falando sobre aquele que já se sentia prefeito: o professor Minoru Kinpara.
Kinpara sentiu na pele o que é mudar de lado por pura conveniência e oportunismo eleitoral.
Confiando nos votos obtidos na disputa do Senado, o professor foi seduzido pela mosca azul, ou por tucanos coloridos.
Se deu mal.
Teve voo curto e caiu de bico.
Minoru rasgou o seu passado e cuspiu no prato que comeu para formalizar aliança com o conservadorismo do PSL, partido que elegeu Jair Bolsonaro.
Quando o japonês abriu os olhos, era tarde demais.
Em 2018, com o status de um progressista reitor, Minoru Kinpara obteve setenta e nove mil, trezentos e trinta e cinco votos em Rio Branco.
Ele concorreu sem estrutura pela Rede, partido de Marina Silva.
Este ano, com megaestrutura, viu a sua votação murchar.
Perdeu, em dois anos, cinquenta e três mil e quatrocentos votos.
Apenas vinte e cinco mi, novecentos e trinta e nove almas continuaram acreditando na sua fala de bom moço.
A vida é cruel para quem não tem lado, para quem segue o caminho do oportunismo.
Falar na derrota do ex-reitor nos obriga a colocar os seus mentores na roda: os irmãos Wherles e Mara Rocha.
O vice-governador e a deputada federal mais bem votada não conseguiram eleger um irmão vereador, o que demonstra o quanto a derrota foi acachapante.
Brigado com o governador e derrotado na maioria dos municípios onde pôs as mãos, o vice-governador terá que se reencontrar, se quiser ter outros voos na politica.
É possível que aprofunde a crise com Gladson Cameli, mas, sem força, pode querer fazer as pazes.
Nesse time de derrotado, tem lugar privilegiado para o senador Marcio Bittar, do MDB.
Bittar acreditou que o bolsonarismo atrairia simpatia para o seu candidato, o deputado estadual Roberto Duarte.
Deveria ter lido as pesquisas antes.
Segundo pesquisa Ibope, sessenta por cento dos rio-branquenses avaliam o desempenho do presidente de regular para péssimo.
O que é péssimo para qualquer candidato que pretenda atrelar o seu nome a um presidente que produz bobagens em série.
Você pode perguntar: e o PT, não foi o grande derrotado?
Penso que nem tanto.
Os petistas perderam um grande vereador, o Rodrigo Forneck, mas não tinha nada a perder.
Já tinha entregue a prefeitura de Rio Branco a uma aliada que tornou-se rapidamente adversaria.
Pelo contrário, o PT projetou uma liderança, o Daniel Zen, que se mostrou capaz de enfrentar novas disputas majoritárias no futuro.
O PT vai precisar se reencontrar com a sua história e com a defesa do seu legado.
Terá que dar passos atrás, para atingir jornadas maiores no futuro.
É preciso estar preparado para enfrentar o deserto.
Deixei para falar aqui sobre a dupla Socorro Neri/Gladson Cameli.
Por incrível que possa parecer, o suposto apoio do governador atrapalhou mais do que ajudou.
Não sou eu quem digo aleatoriamente.
A última pesquisa do Ibope aponta que quarenta e quatro por cento da população aprovam a administração da prefeita.
Esse número, portanto, não se reflete nas urnas.
Por outro lado, cinquenta e sete por cento avaliam que o governo de Gladson Cameli está de regular para péssimo.
Com uma avaliação desse e sem controle no governo, não há como o apoio ser importante.
Gladson, nessas eleições municipais semeou vento.
Deverá colher muitas tempestades nos próximos dois anos, pois as expectativas de poder mudaram de lado.
Domingo, a balsa deve acomodar a prefeita Socorro Neri e os poucos que ficaram com ela.
A prefeita se movimentou errado desde que tomou assento no cargo.
Vai pagar o preço da derrota por ter expurgado do seu lado pessoas e partidos que lhe deram a oportunidade de ser a primeira prefeita da história de Rio Branco.
Mas a balsa terá lugar reservado ao governador, que é um dos grande perdedores desse pleito.
Se continuar se movimentando assim, é bom Gladson Cameli encomendar uma daquelas balsa gigantes no estaleiro da sua família em Manaus, porque em 2022 a viagem será quase certa.
Tião Bocalom, pelo andar da carroça da vaca mecânica, será prefeito.
Terá a oportunidade de executar o que vem prometendo há décadas.
Empregado estará.
Resta saber se irá produzir.
A sua vitória, porém, deve ser creditada ao senador Sérgio Petecão, que até agora fez os movimentos corretos.
O povo, porém, precisa saber que Petecão pede voto, mas, depois de eleito, quem vai governar é o Bocalom.
Petecão vai para Brasília, como foi após a eleição do Gladson Cameli.
Quem fica aqui no sofrimento é o povo.
Nunca é demais lembrar que o senador surfa na onda da sua popularidade mas lava as mãos quanto ao desgoverno que ajudou a eleger.
Vide o governo Gladson Cameli.
Fica a dica.
Fui!

