O governo que diz não precisar da política usa até a pior crise sanitária da história politicamente
Gladson Cameli costuma dizer que não precisa da política para viver.
Eu costumo afirmar que a política é que não precisa de uma pessoa tão sem qualificação como ele.
Defensores do discurso do “não precisa” alegam que o governador é proveniente de família rica, por isso faz política como uma espécie de hobby, de diversão.
Se essa for a ideia, é um erro.
Política não pode ser tratada como hobby, diversão ou brinquedo de menino mimado.
Realmente ele vem de um berço abastado, mas a história não é bem como tentam vender à opinião pública.
Gladson Cameli nunca trabalhou efetivamente nas empresas do seu pai, Eládio Cameli. É fato que até teve carteira assinada como engenheiro, mas pegar no pesado nunca foi o seu forte.
Há mais de uma década que Cameli deita e acorda, estando de ressaca ou não, pensando em politica.
É o que ele, da sua forma, sabe fazer.
A politica, para alguns, é a arte de mentir.
É sabido que falar a verdade não é o forte do atual chefe do Executivo estadual. Talvez aí esteja a chave do seu sucesso.
Estamos em meio a uma pandemia, mesmo assim, o governador mede todos os passos pensando mais em salvar votos do que salvar vidas.
Hoje, o experiente jornalista Luiz Carlos Moreira Jorge publicou entrevista onde Cameli eviscera a sua preocupação permanente com o processo eleitoral.
O homem que diz não precisar de política se lançou candidato à reeleição, dizendo que não “vai organizar” o Estado para entregar a outro.
Ele organizou o quê mesmo?
Qual a ação efetiva para “abrir o Acre ao desenvolvimento?”.
Não satisfeito por se lançar à reeleição em um momento que as pessoas clamam por um leito de UTI, ele ainda escolheu o adversário: o senador Sérgio Petecão, fazendo ameaças de demitir a quem estiver próximo ao parlamentar.
Pelo o que disse, Gladson parece disposto a ceder espaço ao morubixaba do MDB Flaviano Melo, disse que o partido só não entra no seu governo não quiser.
Flaviano é político experiente. Já acreditou na palavra de um Cameli e se deu mal.
Na entrevista, Cameli aproveitou para escorraçar o vice-governador Wherles Rocha: “Ele segue o caminho politico dele, e eu seguirei o meu”.
Muitos foram os absurdos ditos pelo governador, numa nítida impressão de que não está bem psicologicamente.
O mesmo governador que um dia disse ter R$ 113 milhões em caixa, afirmou que, se possível, retira os recursos destinados ao Centro Administrativo para comprar vacinas.
Não precisa de tanto.
Somente a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB) alocou R$ 10 milhões para a compra do imunizante.
Há recurso disponível para o pagamento das 700 mil doses da Sputnik V. Ele joga, mais uma vez, para a plateia.
Quanto à essas vacinas, se realmente vierem, há um detalhe que revela o tamanho do espatifado na relação do governador com o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom.
“A imunização com a vacina que estamos comprando será feita na capital pela equipe da Secretaria Estadual de Saúde, não pela prefeitura de Rio Branco”.
Em Rio Branco está o grosso do eleitorado.
Tião Bocalom não irá apoiar à reeleição de Gladson, pois tem compromisso com Petecão.
‘Sei que não vou contar com ele na reeleição. Sabia disso desde a eleição para prefeito. E não vou lhe procurar para pedir apoio”.
Gladson, o rapaz que diz não precisar de eleição, está disposto a deixar a população da capital sem água.
Sobre a reversão do sistema de abastecimento do Estado para o município, ele disse: “Vou passar para a prefeitura de Rio Branco, mas vou deixar claro que, no momento que a transferência acontecer, o estado não vai dar um centavo”.
Isso é chantagem.
Gladson Cameli sofre o isolamento por não ter honrado compromisso com o povo e com os aliados.
Muitos ao seu entorno esperam o momento certo para levantar voo.
Gladson é refém da sua falta de liderança, da ausência de respeitar a própria palavra empenhada.
Está tão desacreditada que tem gente desacreditando que ele diz a verdade quando abre a boca para falar em reeleição.
