Margarida Maria dos Santos era uma mulher simples.
Nasceu em Brasileia no dia 16 de abril de 1927.
Viveu 94 anos.
Como muitos da sua geração, largou a cidade natal e veio se instalar em um bairro periférico de Rio Branco.
Nesse bairro, o Boa União, educou 14 filhos e um neto, a quem tinha como o 15º rebento.
Margarida era tido como uma flor rara pelo filho e os cerca de 80 netos.
Hoje, essa mulher quase centenária fechou os olhos para sempre, partiu do plano terreno para um bem superior, segundo a fé cristã.
Anônima, Margarida viu o fruto do seu trabalho ser carregado por milhares de pessoas durante anos, a cada campanha, eleitoral.
As pessoas que carregavam aquele símbolo não sabiam quem fora a artista do manto.
Dona Margarida era costureira.
Foi das suas mãos que saiu uma bandeira gigante que torno-se símbolo das campanhas do PT e da Frente Popular do Acre.
A bandeira gigante foi costurada durante um fim de semana.
Tudo feito à luz de vela.
Na época, não havia luz elétrica no bairro Boa União.
Estamos falando do ano de 1990.
O candidato ao governador era o filho do Dico Viana. Era assim que dona Margarida chamava o quase menino Jorge Viana.
Naquele ano, Jorge Viana não se elegeu, mas levou a eleição para o segundo turno, um feito inédito para um partido como o PT.
Depois, sempre segurando a bandeira confeccionada a luz de vela por dona Margarida, Jorge Viana foi eleito prefeito em 1992 e governador por dois mandatos consecutivos.
Dona Margarida acompanhou tudo de longe, na simplicidade.
A bandeira foi confeccionada a pedido do seu neto-filho Gean Cabral, que lembra: – Eu e o Binho pegamos as peças na Casa Natal e levamos até lá em casa, no Boa União, para ela fazer”.
Binho, o Marques, também foi governador do Acre.
Dona Margarida foi descansar eternamente.
“Ela foi luz nas nossas vidas. Ela agora é uma estrela”, comenta Gean Cabral.

