Nunca a expressão “aperte o cinto, o piloto sumiu” teve tamanho significado como o momento vivido no Acre a partir da posse de Gladson Cameli como governador do Acre.
Enquanto o Estado embica rumo ao caos, Cameli passa o tempo brincando com a sua coleção particular de aviões em miniaturas.
Gladson Cameli, que supostamente é apontado pela Polícia Federal como o chefe de uma Organização Criminosa (Orcrim), foi às suas redes sociais publicar os seus brinquedinhos.
“Varig, todos na escala 1:200”, escreveu.
O governador do Acre tem obsessão por aviões.
Também parece obsessivo por declarar as suas posses pelos valores abaixo dos praticados no mercado, levantando suspeitas de que tenta burlar o fisco.
Um dos pontos investigados pela Operação Ptolomeu, deflagrada em duas etapas pela Polícia Federal, é justamente a aquisição de veículos de luxo por preços subfaturados.
Ao fazer declaração a um site que é seu aliado, o governador disse que é normal o salto do seu patrimônio em pouco mais de três anos.
Nas eleições de 2018, Cameli declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tinha um patrimônio de R$ 2,9 milhões.
Depois que assumiu, esse patrimônio saltou para quase R$ 6 milhões.
Dentre o patrimônio declarado, há uma aeronave de R$ 450 mil.
Segundo o governador, o avião era R$ 1,5 milhão e hoje vale R$ 3 milhões.
Pelo jeito, ele não declarou o valor real do bem e pode se comprometer ainda mais.
Em veículos, antes de ser governador, ele tinha pouco mais de R$ 200 mil.
As investigações da PF apontaram que esse valor saltou para R$ 1,8 milhão.
Na medida em que as investigações avanças, que a imprensa começa a divulgar e o governador a falar, a situação fica ainda mais complicada.
Veja a confissão de culpa:
“É claro que meu patrimônio aumentou e vai saltar mais, porque qualquer bem, qualquer coisa, um carro que comprei por R$ 80 mil tá valendo R$ 180 mil. O avião que era R$ 1,5 milhão, tá valendo R$ 3 milhões”.
É bom mesmo apertar cinto.

