Ícone do site Portal do Rosas

Com raízes profundas sobrevive-se às Tempestades

Por Carioca Nepomuceno*

“Um outro mundo é possível”

Brotou do chão das fábricas com o novo sindicalismo do ABC, das periferias com as Comunidades Eclesiais de Base, dos corredores das universidades com o Movimento Estudantil e intelectuais de diversos matizes, do campo com a resistência dos trabalhadores rurais sem terras e do coração e mentes de milhões de brasileiros e brasileiras que perceberam que finalmente surgia um partido político de baixo para defender os de baixo. Assim, há 42 anos, nascia o Partido dos Trabalhadores.

O PT era o ambiente em que vários movimentos se encontravam para contar suas histórias e ao fazê-lo, construíam uma nova narrativa cujo propósito era escrever uma nova história para ser contada pelas futuras gerações.

O PT é o encontro de vários pensamentos, sufocados por duas décadas de ditadura, foi assim que a democracia deixou de ser um mero conceito e passou a ser um valor onde opinião deixou de ser um delito e os segmentos historicamente vilipendiados se viram tendo vez e voz. Só no PT um seringueiro desconhecido como Chico Mendes (1980) seria o primeiro presidente estadual, só no PT uma mulher, negra e pobre como a Marina Silva teria uma trajetória tão vitoriosa e só no PT um operário seria candidato e Presidente da República.

O PT é a sinergia de uma multiplicidade de sentimentos que transborda o desejo incontido por justiça social.

É por isso que aquilo que era mera retórica e abstração na esquerda tradicional virou materialidade no cotidiano da vida militante dos petistas.

Prostitutas, gays, lésbicas, negros, índios, sem terra, desempregados… Invisibilizados de todas as gradações passaram a se sentir sujeitos e com isso passaram a dissipar medos e semear esperanças.

Só quem é portador de causas e utopias crer de verdade que um outro mundo é possível. É por isso que nos intitulamos um partido ideológico ainda que não professemos uma doutrina.


A burguesia brasileira do alto de sua tradição escravocrata, patriarcal e autoritária apostou que o PT seria esmagado assim como foram os inconfidentes, os resistentes do Quilombo dos Palmares, Canudos, o tenentismo, o trabalhismos e seus representantes mais proeminentes: Tiradentes, Zumbi, Antonio Conselheiro, Luis Carlos Prestes e Getúlio Vargas respectivamente.

Quando do golpe de 2016 a estratégia fora desenhada em três atos, a saber: Impeachment da presidenta Dilma, a prisão do Lula e a cassação do registro do PT. Foi o enraizamento do partido com sua história, o seu legado e o seu atrevimento que decepcionou a elite do atraso.

Foi por ser afoita que a militância não abandonou Lula na cadeia, esse gesto o vitaminou para continuar acreditando e sair mais forte.

Esse encadeamento de acontecimentos voltados para transformar o Brasil imerso em pensamentos e sentimentos, sempre no plural, confere sentido a frase de Dom Mauro Morelli “em favor dos que não têm, dos que não sabem e dos que não podem” esse é o espírito, a subjetividade de ser petista e saber que depois da tempestade, 28% de brasileiros e brasileiras cravam que seu partido de preferência tem nome, chama-se Partidos dos Trabalhadores. Parabéns, PT. É nóis.

*Carioca Nepomuceno (é professor da UFAC e dirigente do PT Acre.

Sair da versão mobile