O Acre é pródigo em gerar histórias surreais.
São histórias que cairiam como luva no realismo fantástico do premiado escritor Gabriel Garcia Márquez.
A que será contada aqui veio de Manoel Urbano e envolve pessoas do hospital do município.
Os nomes serão mantidos em sigilo.
Chegou a informação que um médico, que também é proprietário de uma banca de apostas de jogos de futebol, protagonizou uma história incrível.
O profissional trabalha no município, mas reside em Sena Madureira.
Na administração passada do hospital, o então diretor da unidade teria contraído dividas com o dono da banca, mas não conseguiu pagar.
Misturando o público com o privado, o médico simplesmente se sentiu à vontade para se apropriar de um patrimônio público.
Ele, como o diretor não quitou a dívida, levou para casa um barco de alumínio que era utilizado para o resgate de urgência e emergência da população ribeirinha.
Enquanto a população ficou desassistida, o médico transportou o barco f para Sena Madureira. Para tanto, contratou um “freteiro”e pagou R$ 100 pelo serviço.
Durante um bom tempo, barco ficou escondido em Sena Madureira e depois levado para oficina conhecida como Jeteck Náutica, no bairro Bonsucesso.
O patrimônio público passou por um processo de descaracterização, sendo retiradas as placas com numeração patrimonial.
Para executar o serviços e sem saber do que se tratava, o dono da empresa cobrou algo em torno de R$ 1 mil.
O surreal é que, mesmo tendo levado o barco que não era seu, o médico permanece em cargo de chefia na unidade de saúde.
A direção da Saúde estadual sabe do ocorrido, mas não adotou as medidas administrativas necessárias para punir os envolvidos.
Após denúncia o barco foi devolvido à unidade.
Não se sabe se o ex-diretor pagou o que devia.
O que deixa os demais servidores indignados é a impunidade.
O Acre, realmente, está como um navio à deriva, sem comandante e sem rumo.

