Produzir para empregar: para quem?

2–3 minutos

Por Kemil Jarude*

Enquanto o mundo avança no debate sobre a necessidade de que a economia atue respeitando normas ambientais e trabalhistas e avalie o seu impacto social, no Acre ainda há políticos que ficaram, como se costuma dizer, no tempo do “bumba meu boi” ou, para alguns outros, no tempo do “Lona”. Pois bem, em tempos de 5G, ainda vemos ideias e soluções que remontam mais os velhos tijolões.

Em um Estado fincado no meio da Floresta Amazônica, propor desmatar como se fizeram com outros biomas como cerrado e mata atlântica significa pôr toda a economia nacional em risco na medida que o agravamento das mudanças climáticas acaba gerando prejuízos àqueles que prejudicam o meio ambiente.

Agora que o Acre está mais conectado com o restante do país por meio da ponte do Rio Madeira, talvez seja hora de os gestores públicos buscarem se conectar mais com os incentivos financeiros que os países ricos vêm criando para ajudar regiões em desenvolvimento a promoverem bem estar social contribuindo com a preservação social.

E se engana quem pensa se tratar de uma mendicância em relação aos países ricos. A Europa no pós-segunda guerra se socorreu do Plano Marshall para se restabelecer no plano internacional. Engana-se mais ainda quem ainda pensa que a maior riqueza se encontra na terra, mas hoje a commodity que governa o mundo é a informação.

O mercado mundial vê a demanda por profissionais em tecnologia crescer cada dia mais. E ainda há gente no Acre pensando em gerar emprego e renda apenas na base do machado e da enxada? O Acre é um Estado de gente desbravadora e inteligente. Nosso capital humano precisa ser preparado para gerar renda a partir de serviços: sejam serviços ambientais, sejam serviços digitais. É preciso preparar o nosso Estado para uma economia digital e em sintonia com a 4ª Revolução Industrial.

Graças a coragem da nossa gente, não precisamos mais nem de sinal de fumaça e nem estrada de barro para se conectar com o mundo. Só falta agora entendermos que podemos gerar uma economia forte usando as possibilidades de contribuição que podemos dar ao mundo: seja com a nossa floresta, seja com a nossa inteligência.

*Kemil Jarude é acreano. Estudou Direito na USP e na LMU de Munique – Alemanha

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