Joci Aguiar*
E chegou o carnaval. Um carnaval com expectativas frustradas, porque o que o povo espera é poder extravasar.
Este ano, porém, será igual ao que passou: não haverá carnaval de rua e desfile de escolas de samba, não terá blocos. Isso porque a pandemia continua e o descaso do poder público também. Então só podemos lembrar do Benito Di Paula: “Mas chegou o carnaval e ela não desfilou”.
Lembro que, toda vez que se aproxima o carnaval, muitas mulheres buscam a boa forma física para estar com o corpo perfeito para a brincadeira carnavalesca. Buscam receitas e chás milagrosos para poder se encaixar num padrão de beleza imposta, que não liberta mais, escraviza.
Penso que não só as mulheres devem buscar cuidar da saúde, mas todas as pessoas. Cuidar da saúde faz bem e ajuda a viver mais. Padrão de beleza é imposição.
Falando em carnaval, continua no país o carnaval da desordem, da falta de respeito com a vida das pessoas. Os crimes ambientais continuam no ritmo das marchinhas de carnaval, trazendo mais assassinatos, poluição dos rios com mercúrio.
Os garimpeiros viraram os melhores amiguinhos do governo federal e com passe livre pra matar as lideranças que resistem.
No carnaval é comum os encontros de momentâneos, que muitas vezes, por falta de uma camisinha que o homem dificilmente quer usar, ocorre uma gravidez indesejada. Isso claro é sempre “culpa” da mulher, que não se cuida.
Os “machos” sempre têm passe livre. Caso a mulher aborte, é condenada, mas não se condena ou critica o homem que ajudou a gerar a criança, não assume e se faz de vitima. Sabem o nome disso: “aborto paterno”, sem falar naqueles que levam as mulheres para clínicas clandestinas para abortar.
Também em comemoração no ritmo de carnaval, no dia 24 completamos 90 anos da conquista do voto feminino no Brasil. Que festa, não é? Mas pode ficar melhor. Afinal, as mulheres são pouco representadas no Parlamento.
Em 2020, segundo o TSE, houve um aumento de 19,2% no número de vereadoras eleitas. no entanto, não há o que comemorar, porque, do total de vereadores eleitos em 2020, apenas 16% são mulheres e prefeitas representam apenas 12%.
Os dados mostram a sub-representação das mulheres nos espaços políticos, haja vista que as mulheres não combinam com política. É o que dizem, mas querem mandar em nossos corpos, só que isso vai acabar.
Em 2022 temos que fazer o carnaval da revolução. O poder está nas mãos do povo de mudar a história do estado e do país, elegendo representantes que de fato defendam os interesses da população e que não votem pautas como o PL do Câncer (agrotóxicos).
Precisamos de governador que dancem menos e trabalhe mais, representantes que defendam os direitos das mulheres, LGTBQIA+, povo preto e indígenas.
O Brasil não pode continuar o mesmo, a violência contra as mulheres tem que acabar.
*Joci Aguiar é feminista, ambientalista e ecossocialissta.
