Se for comparar, a Marcha para Jesus deste ano foi, sem dúvidas, a que menos atraiu fieis nos últimos anos.
Boa parte dos evangélicos percebeu que o evento tinha pouca religiosidade e muita politica.
A falta de público não se deu por carência de atração local e nacional.
Os organizadores se encarregaram de trazer o cantor André Valadão, que cobra em torno de R$ 50 mil por show.
Também não faltou, de forma cruzada, apoio financeiro do cofre público.
A Marcha foi realizada no dia 17 deste mês.
Sem coincidência nenhuma, no dia 9, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Empreendedorismo e Turismo, pagou R$ 335 mil para a entidade religiosa denominada Jovens Com Uma Missão (Jocum).
A destinação do recurso seria para a realização de evento de cunho religioso, a fim de promover o turismo a partir do encontro de pessoas de diversas partes do Estado do Acre.

Mais explicito parece impossível.
Se na fosse esse convênio, certamente o público da Marcha teria sido ainda mais reduzido.
A Jocum no Acre conta com o apadrinhamento do deputado federal Alan Rick, pré-candidato ao Senado.
A liberação de quase meio milhão para o evento turístico vai na contramão da realidade vivida por boa parte das igrejas evangélicas do Acre.
Durante a pandemia, muitos pastores encerraram as suas atividades, fechando as portas das suas igrejas por falta de condições para pagar até aluguel.
Segundo um pastor que não concordou com o tom político da Marcha, ainda hoje há pastores fechando as suas igrejas por falta de condições.
“Além disso, tem muita gente dentro das igrejas precisando de emprego e apoio Esse dinheiro usado no evento poderia ter sido aplicado na assistência social”.
Esse tipo de convênio deve ser fiscalizado de perto pelos órgãos de controle. Afinal, como é que o cachê da atração artística foi pago? E as outras despesas?
Se ainda existirem órgãos de controle no Acre, que eles façam o seu dever institucional e constitucional de fiscalizarem a legalidade das despesas com dinheiro público.
