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Jorge Viana: Governador ou Senador?

Por Dr. Francisco O. D. Veloso*

A política acreana (sic) vive dias de espera. Espera-se a decisão de um dos major players locais, talvez o maior deles. Jorge Viana tem analisado o cenário estadual e nacional para decidir se concorrerá ao Governo do Estado ou ao Senado Federal.

O que temos pela frente são anos difíceis. O Governo Federal tem desmontado o país seguindo a cartilha neoliberal de Margaret Thatcher, onde o Estado é mínimo e a pobreza, um efeito colateral. 

A pandemia nos mostrou a importância de um Estado forte. Somente um país com uma máquina pública competente e azeitada pode lidar com situação de tal magnitude ou, para citar outro exemplo, adotar medidas efetivas contra o aquecimento global e suas consequências.

O golpe contra a ex-Presidente Dilma Rousseff e o descarte dos votos de milhões de cidadãos tem tido enorme impactopara os brasileiros. Executar o golpe requereu manipular a opinião pública e isso deu início a uma cisão social que começou com coxinhas e chegamos a mínions.

Além dos epítetos e a corrosão das relações, a vida do brasileiro tem ficado difícil em outros aspectos. Conforme dados fornecidos pelo Banco Mundial (https://data.worldbank.org/country/brazil?view=chart) o PIB brasileiro alcançou 2.62 trilhões de dólares em 2011 (Governo Lula) e 1.61 trilhões em 2021 (Governo Bolsonaro). Dentro do comparativo 2011-2021 do Banco Mundial, o desemprego estava em 6.7% em 2014. A partir de manobras tanto no Congresso Nacional quanto no Senado Federal, ex-PresidentaDilma Rousseff teve dificuldades em implementar medidas que permitissem melhorar a performance econômica – um elemento que foi utilizado para promover o sentimento de insatisfação. Talvez a apresentadora de TV com um colar de tomates seja um dos mais emblemáticos momentos da indignação popular. Perdeu a oportunidade de decorar-se com cenoura, mas não faltarão oportunidades, pelo o jeito que a coisa anda.

O caos social em que o Brasil mergulhou é provocado pela ideologia bolsonarista, mas as medidas que têm empobrecido o Brasil econômica e socialmente, incluindo o nível de civilidade, ocorrem nos bastidores da aventura presidencialesca. 

Quem de fato planeja e aprova medidas que tem provocado uma série de problemas estão no Congresso e no Senado.

O homeschooling é um exemplo de uma medida aprovada nas duas casas, mas que é totalmente inadequada. Nem nos Estados Unidos homeschooling funciona de fato como um instrumento poderoso de educação que permite mobilidade social. É preciso dinheiro e conhecimento formal para educar academicamente um ser humano, em qualquer idade. Uma família leiga não tem condições de fornecer nem o conhecimento formal nem o ambiente de socialização que a escola provê e que irá contribuir para gerar indivíduos aptos à vida em sociedade.

Poderíamos espelhar-nos em muitas outras experiencias que são, de fato, um sucesso, na área da educação. Os Estados Unidos são uma potência acadêmica por serem, como se fala no meio científico, ‘ladrões de cérebros’.

Governar o Acre é importante. Mas vivemos um processo de desmantelamento estrutural das instituições brasileiras. Um governo local competente pode mudar o curso, mas mudanças estruturais realizadas pelo Governo Federal, desde reforma trabalhista até a lei do Novo Ensino Médio, só poderão ser revogadas ou revisadas se elegermos representantes comprometidos com o desenvolvimento do país e de todos os seus cidadãos.

Seria ótimo ter Jorge Viana como Governador novamente, é até tentador querer repetir a dose. Jorge tem um papel importante no desenvolvimento do Estado. Tem problemas, claro, e muitos outros surgiram na continuidade petista. O PT foi, aos poucos, absorvendo em sua administração, pessoasque não faziam sentido nem pela competência nem por sua história. Mas isso fica para outra oportunidade.

Se Jorge sair para o Senado, restará ao PT apoiar um outro candidato, de um partido que não apoiou o PT dois anos atrás. Porém, o Deputado Estadual Daniel Zen deu a tônica e comportou-se como um Estadista, ao dizer que, neste momento, não é sobre nós, é sobre um projeto maior. O ato de não lançar um candidato seria um ato altruísta, de um partido que sempre teve raízes populares, que de fato implementou medidas que melhoraram a vida dos brasileiros.

Somente com um representante progressista no Senado Federal teremos chances de, ou opor-se a mais quatro anos de delírios personalistas ou apoiar um presidente competente e sério.

Desse modo, acredito que o Acre pode contribuir para a recuperação do país, o que é até uma ironia se considerarmos que insistam em dizer, por aí, que ‘o Acre não existe’.

Jorge Viana, Senador.

*Francisco O. D. Veloso é professor no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA-UFAC). Possui Doutorado em Linguística Aplicada/Inglês pela UFSC. Foi professor na Universidade Politécnica de Hong Kong (Hong Kong SAR), Professor Visitante na Universidade de Modena e Reggio Emília (Modena, Itália) e professor na Universidade de Bologna (Bologna, Itália).

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