Por Francisco O. D. Veloso*
Nos aproximamos rapidamente das eleições. Temos, todos os dias, na TV aberta, nosso velho conhecido: o horário eleitoral gratuito – que não é gratuito. Custa muito dinheiro aos cofres públicos. O dinheiro do contribuinte. O nosso dinheiro.
Assisti a um único dia, o primeiro deles.
Vi as propagandas para Senador e para Governador com mais atenção.
Fiquei impressionado com o tanto de dinheiro que muitos desses candidatos, já em exercício em outros mandatos, trouxeram para o Acre.
Mais ainda. Esses candidatos tem muito, mas muito amor, muito carinho por esse Estado, por essa terra, por essa gente sofrida.
Em meio a tanto amor, tanto dinheiro que veio para o Acre, trazido por nossos maravilhosos políticos que se preocupam com essa gente sofrida, tive que ir ao Pronto-Socorro.
Na triagem, a pior impressão possível. O prédio é sujo. Mal-cuidado.
Havia um único médico de plantão, mas o médico não estava lá, naquele momento, segundo a recepcionista.
Uma moça tomava soro semi-deitado em conjunto de três cadeiras, com a cabeça encostada no colo de um rapaz.
Para alguém doente, aquilo é muito desconfortável. É humilhante.
As pessoas doentes dividem o espaço com os cães de rua, também abandonados.
Este cenário de abandono, de falta de cuidado, acontece neste mesmo lugar onde políticos vão para a TV dizer que amam, que trazem muito dinheiro – mas não se vê, no dia a dia, onde foi aplicado.
Não há obras.
Há notícias de corrupção na mídia local. PF no Palácio do Governo. Notícias de desvio de merenda escolar. A lista parece só aumentar.
O Governador é diretamente responsável. É ele quem escolhe sua equipe e precisa mostrar o que fez nos últimos quatro anos, não prometer o que fará se reeleito.
Pelo o que vi na mídia, existem umas 54 promessas de campanha de 2018 que não foram cumpridas.
O Governador é um funcionário público que prevaricou. Não fez o seu trabalho.
Por que renovar seu contrato de trabalho?
Ironicamente, fui ao Pronto-Socorro no mesmo dia em que Gladson Cameli responsabilizou o ex-Governador Tião Viana pelo caos na saúde.
Terceirização da responsabilidade para esconder a inatividade administrativa. Foi o PT. Foi o covid. Foi a guerra da Ucrânia.
Foi incompetência.
Desinteresse.
Espero que a oposição traga à memória do povo acreano os problemas causados pela inatividade do Governo do Estado. E que este Governo que se encerra sem nada ter para mostrar pelo menos não expulse aquele vira-lata do PS.
*Francisco O. D. Veloso é professor no Centro de Educação, Letras e Artes (CELA-UFAC). Possui Doutorado em Linguística Aplicada/Inglês pela UFSC. Foi professor na Universidade Politécnica de Hong Kong (Hong Kong SAR), Professor Visitante na Universidade de Modena e Reggio Emília (Modena, Itália) e professor na Universidade de Bologna (Bologna, Itália).

