A ministra Marina Silva colocou o Acre em emergência ambiental de abril a dezembro deste ano.
Marina Silva é a titular do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climática.
Acreana do pé-rachado, como se diz por essas bandas, ela sabe como a banda toca no Acre em período de verão amazônico, e deve lembrar como o governador Gladson Cameli se comportou no seu primeiro ano de mandato, concedendo licença para queimar. Veja aqui.
Político mutante, o governador do Acre passou a adotar um discurso mais afinado com o ambientalismo a partir de janeiro deste ano.
Não mudou a fala porque acredita no que fala. Ele é muito coisa, menos ambientalmente correto.
Mudou o o discurso porque a política nacional mudou, porque entende que Marina Silva não deixará a boiada passar, mudou porque o meio ambiente receberá muito recurso nacional e internacionalmente.
Só que, embora tenha mudado o modo de tratar o tema, ele parece ter se equivocado na escolha da pessoas que irá cuidar da questões ambiental em seu governo.
Dando um sinal contrário ao governo federal, Cameli nomeou para a Secretaria de Meio Ambiente e Políticas Indigena (Semapi) a comunicadora social Julie Messias.
Messias tem trabalho na área, mas parece que o conhecimento não é suficiente.
Segundo Pipira que habita o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), o clima dentro das pastas que cuidar dos assuntos ambientais só esquenta porque a secretária diz ter “carta branca” do governador. “De tão autoritária já ganhou o apelido de vice-governadora” , revela o pássaro bem informado.
Essa mesma Pipira destaca que a interlocução com o governo federal está prejudicada pelo passado de Julie Messias.
“Você acha que a ministra Marina Silva irá ter dialogo permanente e transparente com alguém que ajudou a construir a política ambiental no governo de Jair Bolsonaro?”, indaga a Pipira.
A indagação tem explicação.
A assessora de Gladson Cameli foi secretária de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente na gestão Bolsonaro.
Ainda de acordo com a Pipira, semana passada, ela foi sutilmente desconvidada para a posse do novo presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, órgão estratégico para interlocucão com a área ambiental do Estado, em particular com o Imac.
Coincidência ou não, quem esteve presente à solenidade foi o secretário de Relações Federativas, Ricardo França.
França declarou: “O governador Gladson Cameli me encarregou de reforçar o compromisso do governo do Acre com a preservação ambiental, incluindo o desmatamento zero e o combate às queimadas”.
É claro que essa credencial da secretária também pode atrapalhar a abertura de portas no BNDES, presidido pelo petista Aloizio Mercantes.
É no BNDES que ficará o dinheiro do Fundo Amazônia. Para acessar a esse recurso, o governo do Acre necessitará muito mais do que bons projetos.
O Acre vai estar em emergência ambiental durante quase todo ano de 2023. Gladson Cameli precisa ligar o sinal de alerta. Dessa vez, o discurso e a prática devem caminhar no mesmo varadouro.
Tanto o governador quanto a sua secretária não podem, a exemplo do que fizeram na gestão Bolsonaro, deixar a boiada passar sob a proteção das queimadas fora de controle.
É fogo…

