Ermício Sena*
Costuma-se dizer que no Acre se respira política. Isso parece ser verdade, uma vez que o acreano mal sai de uma eleição e já está discutindo a outra.
Esse “respirar político” ocorre nos partidos políticos, nos poderes Executivos, Legislativo e Judiciário, bem como m grupos familiares, comércio, entidades de classe, igrejas, etc.
As perguntas que não querem calar são as seguintes: Por que somos assim tão “politizados”?, Por que em outros estados o debate da economia se sobressai ao da política institucional? Por que, invariavelmente, o PIB do Estado, em termos empresariais, está sempre ligado a determinados grupos políticos?
Façamos uma reflexão acerca da economia do Estado, que, com uma ou outra variação, tem a seguinte performance: As transferências constitucionais, acrescida dos valores do Bolsa Família, aposentados, funcionalismo público federal e recursos dos órgãos federais, representam em torno de 73% da receita do Estado.
Essa receita, por sua vez, ativa uma demanda, que produz um efeito multiplicador no comércio, que incrementa a receita tributária em mais ou menos 17%, restando ao setor privado, acrescido da produção familiar, cerca de 10%.
Num cenário como o descrito acima, é inegável o papel do Estado na economia do Acre. Isso fica mais cristalizado quando olhamos as políticas públicas do Governo do Estado e da Prefeitura da Capital.
Ambos entes dependem quase 100% das transferências constitucionais e das políticas públicas do Governo Federal. Aqui reside uma constatação que dialoga com o atual cenário político e que, se analisado com a devida cautela, levará inexoravelmente a conclusões que fogem do senso-comum que parece ter tomado conta de muitos políticos e de analistas da política.
A primeira dessas conclusões é que, sem o governo federal, não existe política pública de educação, saúde, segurança, infraestrutura, etc.
A prova disso são as inúmeras políticas públicas realizadas pelos governo do PT no Acre e na Prefeitura da capital, só para ficar em algumas, como investimentos na infraestrutura das nossas cidades, milhares de casas populares e fortalecimento da Educação, que chegou às melhores posições do país.
Uma segunda conclusão de nossa análise é que, para aproveitar essas oportunidades a fim de elaborar e executar boas políticas públicas, aos políticos ou, como falam os especialistas, os policy makers (formuladores de políticas), não basta só boa vontade, tem que ter capacidade técnica e capital político no eleitorado.
A capacidade técnica se resolve com bons auxiliares, mas o capital político é construído e, como a História não se apaga, o passado conta muito na hora de dialogar com o eleitorado.
O Partido dos Trabalhadores e seus líderes no Acre foram vítimas da mesma sanha que o afetou no Brasil inteiro. Ocorre que na maioria dos Estados esse rancor tem se dissipado, mas como aqui no Acre as ondas demoram a chegar, é possível que em breve tenhamos um outro humor em relação ao partido.
Como resultado desse estado dependente das políticas públicas do governo federal, passamos 4 anos padecendo da inanição do governo Bolsonaro.
O Governo Federal do PT atual, liderado pelo presidente Lula, que vem a ser a maior liderança política da América Latina, já anunciou R$ 26,6 bilhões para investimentos através do PAC III.
Além desse investimento, outras políticas públicas setoriais (falarei disso noutro artigo) são fundamentais. Mas a política do salário mínimo e de transferência de renda irão incidir diretamente na vida das pessoas.
Quem disser que isso não terá impacto no diálogo que o partido terá com o povo, estará sendo ingênuo ou desonesto intelectualmente.
Se fizermos um esforço mínimo de análise do que cada grupo político e seus respectivos partidos têm a demonstrar para a sociedade em termos de políticas públicas recentes e atuais, a conclusão que chegaremos e que o PP do governador Gladson Cameli e seu grupo político, o partido do Prefeito Bocalon e seu grupo político e o MDB do ex-prefeito Marcus Alexandre não têm o capital político que o PT tem em termos de políticas públicas passadas e atuais.
Em termos de estrutura de oportunidades políticas, essa janela que se abre pode servir para que o partido, de forma digna, sem baixar a cabeça, faça o caminho de volta aos corações e mentes e isso começa mostrando que o compromisso que o partido tem com as pessoas não está restrito a nomes, mas à identidade de políticas públicas que dialogam com as necessidades dos cidadãos e cidadãs e o que estará acontecendo em termos de políticas públicas em todo o estado tem a marca do Partido dos Trabalhadores.
*Ermício Sena é Cientista Político
