Debater direitos das mulheres não é banalidade

2–3 minutos

Por Carmela Camargo Lima Rosas*

A filósofa e escritora Simone Beauvoir defendia a ideia de que a arrogância masculina havia tornado as discussões sobre “questões femininas” – pautas de igualdade de gênero – em uma disputa banal, pontuando que estruturalmente, a luta da mulher não é levada a sério.

Assim, com o passar dos anos, apesar dos avanços da lei, é evidente que a figura feminina ainda ocupa um lugar de inferioridade na visão masculina.

Tal visão acarreta na violência contra a mulher, seja ela física, sexual ou psicológica, para mostrar dominância, e é executada principalmente pelos seus atuais ou ex-parceiros ao acreditarem ter posse de suas parceiras, crença essa que agrava a persistência da violência doméstica.

Dessa forma, como defendido no livro “Opúsculo Humanitário”, de Nísia Floresta, os homens negaram, por tanto tempo, a educação feminina por medo de questionarem sua autoridade.

A organização social atual ainda é reflexo do que era no passado e o papel feminino ainda é visto como superficial, pois, ao inferiorizar a mulher, os homens se veem em uma posição hierárquica mais alta e acreditam controlar tudo, quando desafiados acham, por meio da agressão e pelo medo, uma forma de se manter no poder.

Sendo assim, se torna clara a necessidade da reforma da educação dos jovens, não só nas escolas como em casa, para que os que hoje são meninos, no futuro, se tornem adultos respeitosos e conscientes.

Ademais, vítimas da violência se sentem obrigadas a viverem em ambientes abusivos, pois, apesar da existência de leis protetivas, a ineficiência da justiça permite que o agressor não seja devidamente responsabilizado.

O difícil acesso aos serviços de proteção e casas de abrigo faz com que não tenham para onde ir.

Sob essa perspectiva, o apoio do Estado é escasso e a mulher ainda é descredibilizada socialmente, assim como retratado na música “Mad Woman”, da cantora Taylor Swift mostrando que, quando procuram defesa ou denunciam algo, são vistas como loucas pela sociedade, que menospreza o sofrimento e as colocam em posição de insanidade.

Visto isso, para combater a persistência da violência contra a mulher no Brasil, é de extrema importância que o Governo, responsável por cuidar do bem-estar da nação, invista em melhorias nos programas de proteção às vítimas dessas agressões e que? por meio do Poder Judiciário, que garante a justiça dos brasileiros, assegure a intensificação da proteção contra a mulher.

Além disso, a mídia, responsável por informar o povo, dissemine, por meio de propagandas, a importância e a seriedade do assunto, e propagando, também, os serviços de ONGs de ajuda, para que, como dito por Simone Beauvoir, a discussão que os homens tornaram banal possa finalmente ser lidada com sua devida importância.

*Carmela Camargo Lima Rosas é estudante