O PT do Acre divulgou nesta terça-feira (5), em Rio Branco, uma nota em que repudia declarações do ex-prefeito da capital Tião Bocalom sobre povos indígenas e reage à defesa, feita por ele em entrevista na segunda-feira (4), da abertura de estradas em áreas indígenas e reservas. Na avaliação do partido, Bocalom afirmou que indígena “não quer mais ficar no mato” e, ao tratar do tema, passou a falar em nome desses povos.
No texto, a direção estadual do PT diz que a frase reforça uma leitura equivocada sobre os territórios indígenas e sustenta que “povos indígenas não vivem no ‘mato’; vivem em territórios reconhecidos”, com cultura, língua, espiritualidade, organização própria e direitos previstos na Constituição. A legenda também afirma que a busca por acesso a serviços como saúde, educação, comunicação e transporte “não significa abrir mão da identidade indígena”.
A nota critica a ideia de tratar terras indígenas como áreas disponíveis para empreendimentos e diz que a discussão sobre políticas públicas não autoriza “qualquer pessoa a falar em nome desses povos, decidir por eles ou tratar seus territórios como áreas disponíveis para projetos impostos de fora para dentro”.
No trecho final, o PT amplia o ataque político a Bocalom, afirmando que ele teve “uma administração desastrosa” na Prefeitura de Rio Branco e que tenta construir uma candidatura com base “no atraso, no preconceito e na mentira”. O partido ainda declara solidariedade a povos e lideranças indígenas do Estado e afirma manter compromisso com “a floresta viva, os rios protegidos” e o respeito aos territórios, ao defender um modelo de desenvolvimento que inclua quem vive e atua na Amazônia.
Confira a nota completa:
PT do Acre repudia fala de Tião Bocalom contra povos indígenas
O Partido dos Trabalhadores do Acre repudia com veemência e indignação a fala do sempre candidato Tião Bocalom, que, em entrevista nesta segunda-feira, 4 de maio, afirmou que indígena “não quer mais ficar no mato” e defendeu a abertura de estradas em áreas indígenas e reservas.
A declaração revela uma visão preconceituosa, ultrapassada e profundamente desrespeitosa sobre os povos originários, seus territórios e seus modos de vida. Povos indígenas não vivem no “mato”; vivem em territórios reconhecidos, com cultura, língua, espiritualidade, organização própria e direitos garantidos pela Constituição Federal.
Querer acesso à saúde, educação, comunicação, transporte e políticas públicas não significa abrir mão da identidade indígena. Muito menos autoriza qualquer pessoa a falar em nome desses povos, decidir por eles ou tratar seus territórios como áreas disponíveis para projetos impostos de fora para dentro.
O PT do Acre é um partido plural, com filiados, lideranças e pré-candidatos indígenas. Nossa trajetória nos governos e na política no estado sempre esteve ligada à defesa dos povos da floresta, dos extrativistas, dos ribeirinhos, dos trabalhadores rurais e das comunidades tradicionais. Essa luta não é retórica; é parte da construção democrática e do futuro que queremos para o Acre.
Bocalom fez uma administração desastrosa na prefeitura de Rio Branco. E agora tenta fazer carreira política com uma candidatura do atraso, do preconceito, da mentira e que representa o que há de pior na política acreana.
Reafirmamos nossa solidariedade aos povos e lideranças indígenas do estado e nosso compromisso com a floresta viva, os rios protegidos, os territórios respeitados e um modelo de desenvolvimento sustentável que produza e distribua riqueza, inclua, respeite e valorize quem vive, cuida e defende a Amazônia.
Partido dos Trabalhadores do Acre
Rio Branco, 5 de maio de 2026

