Declaração de Dom Joaquín Pertíñez aponta que estrutura nova do Hospital Santa Juliana foi oferecida sem custos ao Estado enquanto pacientes morriam na fila de espera.
RIO BRANCO (AC) – Em uma declaração que expõe a gravidade da gestão de saúde pública durante a pandemia de Covid-19, o bispo Dom Joaquín Pertíñez Fernandes revelou publicamente que a Diocese de Rio Branco ofereceu, sem custos, os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Juliana ao governo do Estado do Acre. Segundo o religioso, a oferta ocorreu durante a devastadora segunda onda da doença, mas o Executivo estadual recusou a estrutura, mesmo diante de filas de pacientes que morriam à espera de atendimento especializado [01:19].
A denúncia do bispo veio a público no momento em que ele anuncia o seu afastamento do comando da diocese por razões de saúde e pela proximidade de completar 75 anos. Apesar do impacto e da gravidade das afirmações, o caso teve pouca repercussão inicial na imprensa local, embora haja sinalizações de que o Ministério Público Estadual (MP-AC) possa abrir uma investigação para apurar os fatos.
O drama da fila de espera
De acordo com o relato do bispo, a estrutura oferecida tratava-se de uma ala nova e moderna inaugurada no final de 2019, equipada com 20 leitos de UTI [02:03]. A proposta repassava o espaço gratuitamente ao Estado, cabendo ao governo apenas o fornecimento dos insumos básicos de consumo.
Dom Joaquín Pertíñez relembrou o sentimento de impotência da Igreja e da administração hospitalar ao ver cidadãos perderem a vida desamparados, enquanto o poder público ignorava a alternativa viável.

