O Choro da Perseguição Política: Quando o ‘Caso é de Polícia’, o Palácio Rio Branco Prefere Atacar a Justiça

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Acordar com a Polícia Federal batendo à porta virou trilha sonora institucional no Acre. Não é mais uma eventualidade; é o som diário de uma gestão que caminha sob o peso de evidências colossais. Mas, para o ex-governador Gladson de Lima Cameli — o sempre lembrado “Dancinha” —, a reação oficial diante de mais um capítulo da Operação Ptolomeu segue o manual tradicional dos acuados: chorar perseguição política e tentar colocar a Justiça contra a parede.

Desta vez, o incômodo do ex-chefe do Executivo estadual veio à tona através de notas reclamando da suposta “antecipação” de informações sobre a quarta fase da operação. A desculpa é sempre a mesma: tentar desviar o foco da gravidade dos fatos e invalidar o trabalho investigativo. Acontece que a corda esticou de vez, e a tentativa de transformar corrupção sistêmica em drama eleitoral não passa de teatro para plateia desatenta.

Causa espécie a facilidade com que o grupo governista tenta reescrever a realidade. O incômodo de Gladson Cameli não deveria ser com o vazamento de informações para a imprensa — fruto de fontes quentes e atentas que circulam nos bastidores e até nos condomínios da alta cúpula —, mas sim com o teor devastador das investigações conduzidas em âmbito federal.

“O seu caso não é de política, é de polícia. E se alguém o perseguiu lá atrás, foi a própria Polícia Federal sob a tutela de seus antigos aliados.”

Vale lembrar o óbvio que o Palácio Rio Branco tenta apagar da memória coletiva: a Operação Ptolomeu I foi deflagrada em dezembro de 2021, em pleno governo de Jair Messias Bolsonaro, aliado histórico de Cameli na época. Falar em perseguição político-eleitoral agora, quando o cerco jurídico se aperta com condenações pesadas — como os mais de 25 anos impostos a partir dos votos da ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça —, é um insulto à inteligência do eleitor acreano.

No xadrez político local, as regras do jogo estão expostas para quem quiser ver:

  • Quem ganha: Os operadores da narrativa de vitimização, que tentam blindar o legado desastroso da gestão e manter vivas as pretensões eleitorais a qualquer custo, ignorando fichas sujas e decisões judiciais irrefutáveis.
  • Quem perde: O cidadão acreano, que continua pagando a conta de serviços públicos precários enquanto o debate político se resume à defesa jurídica de figuras enroladas com a Justiça. Perde também a credibilidade institucional do Estado, arrastada para o fundo do poço por uma novela policial sem fim.

A insistência de Gladson em testar os limites das instâncias superiores e lançar dúvidas sobre magistrados demonstra um desespero institucional sem precedentes. Enquanto a máquina de influenciadores digitais e defensores voluntários tenta maquiar a realidade nas redes sociais, os fatos seguem implacáveis nos autos dos processos.

A verdade é cristalina: se houvesse o mínimo de pudor republicano, o debate atual não giraria em torno de palanques ou candidaturas ao Senado, mas sim de como devolver à sociedade os recursos drenados dos cofres públicos. Contratos suspeitos renovados, investigações em série e condenações em instâncias superiores formam um mosaico que não se apaga com discursos inflamados ou notas de repúdio.

Até quando a encenação de “perseguido político” continuará servindo de escudo para quem tem tantas contas a acertar com o país? A quem interessa manter viva a ilusão de que a lei não se aplica aos intocáveis do poder local?