Olá! Bora porongar? Quem gosta de brincar com fogo nos bastidores do poder costuma esquecer de vestir o traje antichama. E no tabuleiro político do Acre, o incêndio da vez tem nome, sobrenome e um suposto diploma de pedagogia que ninguém nunca viu, mas que já está tirando o sono de muita gente grande no Palácio Rio Branco.
A história em torno do certificado de conclusão de curso da governadora em exercício, Mailza Assis, não é apenas um detalhe burocrático; é o estopim de uma crise de elegibilidade que pode redefinir o futuro político do estado. Os indícios de fraude são gritantes, a matemática não bate e o cerco está se fechando.
Vamos aos fatos e à cronologia — que, na política, nunca mente. Em 2014, quando concorreu como suplente do então candidato ao Senado Gladson Cameli (frequentemente ironizado nos bastidores como “o Dancinha”), Mailza apresentou formalmente o ensino médio completo. Oito anos se passaram e, na eleição de 2022, adivinhem? Ela continuava declarando apenas o ensino médio à Justiça Eleitoral.
O milagre acadêmico teria acontecido, teoricamente, no meio do caminho. Documentos apresentados recentemente apontam que Mailza teria colado grau em pedagogia em março de 2020, por uma instituição de Valparaíso de Goiás. Mas há um detalhe incômodo: em 2019, quando exercia o mandato de senadora, seus próprios assessores mais próximos confirmavam que ela cursava Direito em uma faculdade particular em Rio Branco. Como alguém que cursava Direito no Acre se formou em Pedagogia em Goiás, em março de 2020, sem que a instituição sequer oferecesse a modalidade de ensino 100% online na época?
“A cronologia dos fatos desafia a lógica. Em Senador Guiomard, base histórica de Mailza, o consenso é um só: ninguém nunca a viu abrir um livro de pedagogia, muito menos frequentar as aulas daquela instituição goiana.”
Para piorar o cenário da governadora, a instituição que emitiu o canudo de Mailza já foi alvo de investigações policiais pesadas, flagrada vendendo diplomas facilitados pela bagatela de R$ 4.500. Não estamos afirmando que o documento dela foi comprado, mas o cheiro de queimado atravessou o Planalto Central e chegou ao Acre.
O caso ganhou tração nacional quando o senador Alan Rick, adversário político ferrenho de Mailza no jogo pelo comando do estado, acionou o sinal de alerta. Uma representação exigiu que a instituição de ensino comprove, no prazo improrrogável de 48 horas, se a governadora de fato frequentou as aulas, fez provas e apresentou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
- Quem ganha: O senador Alan Rick e a oposição, que pavimentam o caminho para desestabilizar a chapa governista e abocanhar o espólio político do Palácio Rio Branco para as próximas eleições.
- Quem perde: O grupo de Gladson Cameli, que vê sua vice e eventual sucessora direta sob o risco real de ter o registro de candidatura cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), arrastando a estabilidade do governo para o ralo.
- Quem paga a conta: O eleitor acreano, que assiste a mais um capítulo de instabilidade institucional, onde o debate sobre educação pública é ironicamente atropelado por suspeitas de fraude justamente na formação de uma pedagoga.
A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seguindo entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), é implacável: a apresentação de documento falso para fins de registro de candidatura resulta em cassação imediata do diploma e inelegibilidade. Se Mailza não conseguir provar que de fato estudou, o castelo de cartas vai desmoronar.
Se ela mal sabe quem foi Paulo Freire, patrono da educação brasileira, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: a lição de casa da transparência ela já esqueceu de fazer faz tempo. O prazo está correndo. Será que o certificado resiste a uma simples auditoria, ou veremos a Justiça Eleitoral aplicar a canetada final na atual gestão?
Vida que segue, e olho vivo nos bastidores. O cheiro de queimado só aumenta.

