Operação Valparaíso: O diploma invisível de Mailza Assis e o “depoimento de ouro” contra Alan Rick

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No teatro de sombras que se tornou a política acreana, as coincidências não costumam ser gratuitas. Elas têm CEP, preço e, ocasionalmente, um carimbo de cartório. A mais nova cena dessa comédia de erros envolve a vice-governadora Mailza Assis, uma viagem apressada ao interior de Goiás e o surgimento repentino de uma “testemunha chave” com um discurso incrivelmente conveniente.

O Portal do Rosas já havia revelado o tamanho do incêndio que ameaça o Palácio Rio Branco: a investigação sobre o diploma de pedagogia de Mailza, emitido por uma faculdade de Valparaíso de Goiás suspeita de vender certificados por R$ 4,5 mil. Pois bem. Diante da corda no pescoço, a vice-governadora foi a Goiás atrás do tal diploma invisível. Voltou de mãos abanando, mas trouxe na bagagem um personagem inusitado: Franciolis Souza de Santana, ex-funcionário da Latam.

O objetivo? Tentar implodir a imagem do senador Alan Rick com um depoimento dramático. Mas, como todo roteiro mal ensaiado, as datas e os fatos simplesmente não batem.

No depoimento que foi vendido como uma verdadeira bomba atômica contra Alan Rick, Franciolis chora as pitangas. Alega que um desentendimento com o senador, ocorrido em meados de 2022, teria destruído sua carreira na aviação e abalado profundamente seu emocional. Uma narrativa comovente, não fosse o incômodo detalhe da realidade dos fatos.

Se o incidente de 2022 foi tão devastador, por que Franciolis continuou trabalhando normalmente na Latam por mais de um ano, vindo a pedir demissão apenas em 15 de outubro de 2023? Mais curioso ainda: o “traumatizado” ex-funcionário foi contratado pela Azul Linhas Aéreas exatamente no dia seguinte, 16 de outubro de 2023, onde permaneceu até janeiro de 2025.

“Como alguém que teve a carreira supostamente destruída em 2022 pede demissão em um dia e começa em outra gigante da aviação no dia seguinte? A conta não fecha, a menos que a matemática seja outra.”

Hoje, Franciolis é empresário no ramo de alimentação e eventos. O sonho da aviação parece ter ficado para trás por decisão própria e mercadológica, não por perseguição política.

A prova definitiva de que o depoimento recente foi uma peça de ficção sob encomenda está nos arquivos do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10). Franciolis move uma ação trabalhista contra a sua ex-empregadora, a Latam, exigindo a bagatela de R$ 153.140,43.

Na petição inicial, seus advogados listam uma série de queixas burocráticas: falta de pagamento de horas extras, ausência de intervalo intrajornada, riscos na pista de pouso e trabalho em domingos e feriados. Sabe o que não aparece em nenhuma das páginas do processo? Qualquer menção ao senador Alan Rick ou a supostos abalos emocionais decorrentes daquele episódio de 2022.

Se o caso com o senador foi o divisor de águas que arruinou sua vida, por que ele não foi usado como base para pedir uma indenização por danos morais contra a companhia? A resposta é simples: na Justiça, mentir tem consequências penais; no palanque político, costuma render recompensas.

  • Quem ganha: A ala governista ligada a Mailza Assis, que tenta desesperadamente desviar o foco das investigações do Ministério Público Federal sobre o seu diploma fantasma, criando uma cortina de fumaça contra um adversário político direto.
  • Quem perde: O eleitor acreano, que assiste ao uso da máquina e de artimanhas de bastidores para blindar figuras carimbadas do poder, enquanto as reais explicações sobre a idoneidade da vice-governadora continuam trancadas a sete chaves.

Nos bastidores, o boato que corre é forte: o depoimento providencial de Franciolis teria custado cerca de R$ 150 mil — uma cifra que, por “pura coincidência”, é quase idêntica ao valor que ele pleiteia na ação trabalhista contra a Latam.

A pergunta que não quer calar

A viagem de Mailza Assis a Valparaíso de Goiás foi para buscar um diploma de pedagogia que comprove sua formação ou para ir às compras de depoimentos sob medida para atacar adversários? Se o governo do Acre acredita que o povo vai engolir essa farsa mambembe, é bom começarem a preparar argumentos melhores. O cheiro de queimado nos bastidores do Palácio Rio Branco já está forte demais para ser ignorado.