Ícone do site Portal do Rosas

Abre as tuas contas, Flávio!”: o paradoxo do “ladrão” que abre o sigilo e do “honesto” que se cala

A acusação mudou de lado, e o bolsonarismo ainda não percebeu

Durante anos, o bolsonarismo repetiu o mesmo mantra: “Lula é ladrão”. Agora, na reta final da eleição, o roteiro sofreu uma reviravolta incômoda. Quem está abrindo as contas é justamente o alvo da acusação. Quem segue em silêncio é quem se apresenta como honesto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai pedir à Justiça a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. Não apenas os dele, mas também os de seus cinco filhos.

Um deles, Fábio Luís, o Lulinha, alvo preferencial das redes bolsonaristas, já teve o sigilo disponibilizado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início deste ano. É um gesto político, claro. Mas é também uma demonstração pública de que não há o que esconder.

E do outro lado? Silêncio.

30 mil pessoas, muitos xingamentos e nenhuma resposta

O tema explodiu na live do Portal do Rosas no YouTube, que bateu recorde de audiência, com mais de 30 mil pessoas conectadas. Boa parte desse público era bolsonarista e lotou os comentários com a ladainha de sempre.

Quando alguém mobiliza tanta gente para repetir ofensas, é sinal de que o assunto incomoda. Gritar não é argumento, e chavão não substitui extrato bancário.

“O Lula, que para os bolsonaristas é ladrão, vai levar à Justiça o pedido de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, não só dele, mas de todos os seus cinco filhos.”

Abre as tuas contas, Flávio

A pergunta é simples e não exige diploma em Direito: se o “ladrão” abre o próprio sigilo, por que o “honesto” Flávio Bolsonaro não faz o mesmo?

Qualquer eleitor que se diga defensor da moralidade deveria fazer essa cobrança ao próprio candidato. Transparência não pode valer só para o adversário.

Como já mostrou o Portal do Rosas na análise “Abra o seu sigilo”, a campanha de Lula decidiu transformar a corrupção no novo campo de batalha da reta final e aproveitar a postura agressiva do adversário. A estratégia é clara: colocar o oponente diante de um desafio que ele não pode recusar sem pagar caro.

Um apartamento de R$ 1,5 milhão e uma casa de R$ 10 milhões

Na comparação feita na live, o contraste patrimonial salta aos olhos. Depois de tantas décadas de vida pública, Lula tem um apartamento avaliado em cerca de R$ 1,5 milhão. Flávio, segundo o mesmo paralelo, adquiriu uma casa estimada em R$ 10 milhões.

Patrimônio não é crime. Mas exige explicação, principalmente de quem pede o voto com o discurso da honestidade. E a melhor explicação está justamente nos documentos que Flávio ainda não apresentou.

“Quem tem contas, e contas mesmo, a explicar é ele.”

O paradoxo chamado Brasil

Se Flávio abrir os sigilos, o jogo se equilibra e cada eleitor poderá tirar as próprias conclusões. Se mantiver tudo trancado, o recado é outro, e a pecha que o bolsonarismo tentou colar no adversário passa a pesar sobre o próprio candidato.

“O ladrão abre as suas contas. O honesto esconde as suas contas. É o paradoxo chamado Brasil.”

Para o colunista, uma coisa já está decidida: o discurso de que “o Lula é ladrão” perdeu força. Quem continuar repetindo o mantra sem cobrar do próprio candidato a mesma transparência estará fazendo uma escolha consciente.

Fica, então, a pergunta que nenhum seguidor do número 22 conseguiu responder nos 30 mil acessos da live: se não há nada a esconder, Flávio, o que impede você de abrir as suas contas?

Sair da versão mobile