É a última sexta-feira antes de uma eleição que vai mexer com o país e com o Acre. Enquanto as campanhas disputam os indecisos, um assunto insiste em não sair da pauta: o certificado de conclusão do curso de Pedagogia apresentado pela governadora Mailza Assis à Justiça Eleitoral.
O jornalista Leo Rosas, do Portal do Rosas, foi direto ao ponto: convocou uma Live Espinhosa especial, às 15h, no Instagram e no YouTube, para ensinar o eleitor a verificar, por conta própria, se o documento é autêntico.
A pergunta é simples. A resposta oficial, até agora, não veio.
Favorita nas pesquisas, pendente na Justiça
Na leitura de Rosas, a disputa estadual estaria “teoricamente decidida”. Mailza aparece como favorita nas pesquisas. O jornalista, porém, a define como a continuação do que chama de “desastre” da gestão de Gladson de Lima Cameli.
O ponto central, para ele, não está nas urnas, mas nos tribunais. Segundo Rosas, a governadora terá de “se acertar com a Justiça”.
“Ela apresentou um certificado de conclusão de curso de Pedagogia falso. E isso gera perda de mandato ou cassação de candidatura.”
É preciso registrar com clareza: trata-se de uma acusação feita pelo jornalista, que ainda depende de apuração e decisão das autoridades competentes. Não há, no material analisado, manifestação da governadora sobre o tema. E é justamente esse silêncio que alimenta a cobrança.
O “jeitinho” local e a instância de cima
Rosas sustenta que já existe entendimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre casos dessa natureza. E não esconde a desconfiança em relação à instância estadual.
“Aqui no Acre, eu não duvido que a corte local encontre um jeitinho para não condená-la. Só que ela perde lá em cima.”
A frase é uma provocação direta ao TRE-AC. E não é a primeira. Em reportagem anterior, o Portal do Rosas já questionava se o caso estaria parado “na gaveta do TRE” e se a Justiça Eleitoral decidiria antes ou depois de o eleitor votar.
Essa é a questão que importa. Uma decisão tardia não apaga o voto já dado. Apenas transfere o problema para depois da posse.
O histórico da cobrança
O tema não surgiu agora. Ao longo da campanha, o Portal do Rosas acumulou uma série de publicações sobre o certificado:
- Cobrou publicamente a apresentação do diploma de pedagoga e lançou a pergunta que virou bordão: “A senhora sabe onde é Valparaíso de Goiás?”
- Informou que a Polícia Federal seria acionada para investigar a autenticidade do documento usado no registro da candidatura.
- Questionou o ritmo do TRE-AC diante da proximidade da votação.
- Argumentou que o problema “nunca foi o papel”, mas o destino dele: o registro oficial de candidatura.
Esse último ponto é o mais sensível. Um documento entregue à Justiça Eleitoral deixa de ser peça de propaganda e passa a ser prova.
A tese da autoincriminação
É aqui que Rosas aperta o cerco. Para ele, a governadora preferiria que ninguém falasse do diploma. O problema, segundo o jornalista, é que o documento já está nos autos.
“Ela já produziu prova contra ela. Se ela não é pedagoga, ela se autoincriminou.”
A lógica é dura, mas objetiva: se o certificado for legítimo, basta demonstrá-lo e o assunto morre. Se não for, o próprio registro da candidatura se torna o problema. Em qualquer cenário, a transparência resolveria mais rápido do que o silêncio.
O pano de fundo nacional
Rosas também conectou a disputa local ao cenário nacional. Afirmou que o presidente Lula “avança e tem condições reais” de se eleger pela quarta vez. E lamentou que o eleitor acreano, na sua avaliação, não perceba o quanto o estado precisa de um presidente que olhe para ele, sob pena de enfrentar, nas palavras do jornalista, “mais quatro anos de abandono e esquecimento”.
A pergunta que não quer calar
A Live Espinhosa promete colocar a verificação nas mãos do eleitor. Pode parecer pouco. Diz muito, porém, sobre o vácuo deixado pelas instituições.
Quando um jornalista precisa ensinar o cidadão a checar o documento que a própria Justiça Eleitoral já tem em mãos, algo está fora do lugar.
Se o certificado é verdadeiro, por que não encerrar o assunto com transparência? E, se há dúvida, por que a Justiça Eleitoral deixaria para responder só depois que o eleitor tiver votado?

