O tempo vai dizer se o governador Gladson Cameli acertou ou errou ao remanejar o odontólogo Alysson Bestene da Secretaria de Saúde para a Secretaria de Assuntos Governamentais.
Há muito tempo é cristalino que Cameli carece de um corpo técnico eficiente, que saiba onde a banda toca.
Ele mesmo tem reclamado disso reiteradas vezes.
Mas há algo pior: o governador não tem ao seu lado pessoas em que possa confiar plenamente.
Governar sem ter em quem confiar é caminho para a ingovernabilidade.
Alysson Bestene se enquadra nos poucos casos de pessoas confiáveis e leais a Gladson. Ai está o principal motivo para o remanejamento.
A mexida parece acertada pela capacidade de dialogar demonstrada por Bestene à frente da Saúde estadual.
Sempre é bom lembrar que Alysson Bestene iniciou o governo no cargo de secretário de Saúde, mas foi retirado numa tentativa do governador de militarizar a pasta.
No processo de militarização, Gladson trouxe de Brasília a médica Mônica Kannan.
Esposa de militar, a médica convocou dois coronéis do Exército para lhe auxiliar.
O resultado foi desastroso.
A militarização da Saúde durou pouco, mas deixou a pasta em conflito.
Gladson Cameli voltou a nomear Alysson para o antigo cargo.
Durante esse processo teve uma pandemia no meio, que ceifou e continua ceifando muitas vidas.
De jeito discreto e sem aparecer muito, Alysson conseguiu, dentro da medida do possível, pacificar uma pasta marcada pelos conflitos.
Também deu as respostas que o combate à Covid-19 necessitava.
É claro que muitos problemas permanecem.
No Acre, cerca de 95% da população é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse percentual chega a 98% quando se trata de atendimento de alta complexidade.
O grande mérito de Alysson Bestene foi conseguir dar ares de tranquilidade na Saúde.
Na nova missão as dificuldades serão maiores.
Gladson Cameli pretende renovar o mandato. Terá que cumprir as promessas de campanhas e honrar com os acordos feitos e não cumpridos com aliados.
Tempo é tudo o que o governo não tem para reverter uma imagem bastante arranhada pela ineficiência governamental.
O secretário de Assuntos Governamentais, que pode ser candidato até a vice-governador, terá muito trabalho pela frente.
Pavimentar a reeleição do amigo Gladson Cameli é missão difícil, mas não impossível.
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