Como não sou de ferro, tirei alguns dias de férias.
Fui ao interior de Minas Gerais, ver e compartilhar dias felizes com os meus amados filhos.
Durante os dias de recesso, cheguei a pensar em mudar o foco das minhas atividades jornalísticas.
É muito aperreio.
Diversas brigas.
E processo em exerço.
Tudo por vontade própria.
Sempre digo que não faço as coisas por partido ou liderança partidária.
Faço por mim.
Carrego no meu braço direito uma frase do poema Invictus, que deu força a Nelson Mandela durante quase três décadas na prisão.
A frase é:
– EU SOU O SENHOR DE MEU DESTINO; EU SOU O CAPITÃO DE MINHA ALMA.
Não gosto de mandar em ninguém.
E muito menos ser mandado.
Sigamos.
Confesso que pensei em tratar de culinária.
Convenhamos, essa tema é bem mais saboroso e menos conflituoso.
Só que existem coisas que estão na veia, na alma.
A política é uma delas.
No voo de regresso para casa estava o governador do Acre, Gladson Cameli, vindo sabe lá Deus de onde.
Mas não é do regente de Orcrim que irei falar hoje.
No domingo, o Brasil e o mundo ficaram estupefatos com o faroeste caboclo promovido pelo -ex-deputado Roberto Jefferson.
Ele recebeu à bala agentes da Polícia Federal que foram cumprir ordem de prisão na sua casa.
A postura de Jefferson é um pouco da loucura vivida no Brasil.
No instante em que o ex-deputado atirava em policiais, vários acreanos promoviam carreata pelas ruas de Rio Branco em favor do presidente Jair Bolsonaro.
Roberto Jefferson é aliado e um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro.
Aturdido com o tiroteio promovido pelo aliado, Bolsonaro justificou porque é considerado o pai da mentira.
Num primeiro momento declarou que não tinha uma foto dele com Jefferson.
Logo a imprensa se encarregou de mostrar um book de retratos dos dois.
Depois, disse que não tinha vínculo com o ex-deputado.
As evidências se encarregaram de mostrar o contrário.
Rendido e assustado com o tiro nos pés, tratou o amigo de longas datas como bandido.
Jair Bolsonaro é o pai da mentira, não resta a menor dúvida.
Mente que nem sente.
E o que é pior: há um bando de gente que acredita nas suas lorotas.
Vários são os fatos a ser analisados no episódio.
Como uma pessoa que estava em prisão domiciliar tinha um verdadeiro arsenal em casa, sem que as autoridades soubessem?
Por que o presidente mandou o ministro da Justiça ir dar uma espécie de proteção a um bandido que atira em agentes da lei?
O Brasil vive dias difíceis.
É preciso se unir contra a barbárie e o retrocesso civilizatório.
Infelizmente, vários templos religiosos expulsaram Jesus para colocarem o mito no púlpito.
Sempre digo que se Jesus viesse ao Brasil nos dias atuais com as suas pregações, certamente seria apedrejado e tachado de comunista.
Essa é a dura realidade nacional.
Não pensemos que a história terá um ponto final no próximo domingo.
Uma derrota de Bolsonaro poderá deflagrar ainda mais conflitos.
É a isso que ele incentiva, para tentar dar um golpe na democracia.
Viveremos dias tensos, mas é preciso resistir.
Terei que mudar os meus planos.
Deixarei a culinária para outra etapa da minha vida.
É tempo de lutar pela democracia e pelo reestabelecimento da ordem institucional.
Você viu com a Polícia Federal é dócil com os poderosos protegidos pelo pai da mentira?
Aquele episódio tem cheiro de jogo combinado.
De ser a antessala do que será o comportamento dos bolsonaristas após o resultado do segundo turno, no próximo domingo.
Que Deus no proteja da maldade de gente boa.
E da bondade de gente ruim.
Fui.
Vida que segue.
Um forte abraço e um cheiro do Rosas.
