Foi dada a largada para uma eleição importante, mas que não envolve o conjunto da sociedade. Parece algo tão distante, embora esteja próximo.
É certo que, em algum momento da vida, quase todos um dia necessitarão dos serviços de um dos profissionais da área.
Mas trata-se de uma eleição com um colégio eleitoral restrito, que, em tese, não há compra de voto por ser tratar de eleitores conscientes.
Falo sobre a eleição para aqueles que irão comandar os destinos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Acre, nos próximos três anos.
De um lado, tentando renovar o mandato, está o atual presidente Erick Venâncio, que tem Marina Belandi como vice.
Belandi, aliás, já fora vice do antecessor do atual comandante da entidade.
No campo oposto, aparece Rodrigo Aiache e Socorro Oliveira.
A novidade no processo é que, depois de muitos anos, haverá disputa para saber quem irá comandar Ordem.
O fato é novo porque, historicamente, a OAB-AC não tem tradição democrática de eleição, a ponto de o advogado Adherbal Maximiliano ficar abancado no cargo de presidente por quase quatro décadas.
Pressionado para convocar eleição, Maximiliano tentou emplacar o seu sucessor, na época Silvano Santiago, mas fora derrotado.
Ali começou uma nova história na Ordem. História essa que repercute até hoje.
Para derrotar o candidato do homem que se manteve no cargo por quase 40 anos, Florindo Poersch adotou o discurso de ser o novo, que era preciso alternar o poder, que a OAB precisava ser mais transparente.
Poersch deu uma sacudida no negócio, acabou com aquela história de caravanas serem formadas em outros estados para virem fazer o exame da OAB no Acre. Não havia reprovação.
Florindo não está mais no plano terreno, morreu cedo, mas deixou uma linha sucessória que foi seguida à risca.
O primeiro dessa linha sucessória foi Marcos Vinicius Jardim Rodrigues, que cumpriu dois mandatos de três anos.
Jardim Rodrigues, atualmente, é conselheiro nacional da OAB.
O segundo foi o atual presidente, Erick Venâncio, que tenta outro mandato.
O poder é bom. Depois que se chega até ele, é difícil querer largá-lo.
Esse apego explica o porquê de o mesmo pessoal que chegou ao topo pregando a renovação trabalha arduamente para se manter por mais três anos.
Ficava mais fácil quando a eleição era plebiscitária.
Ora, a última eleição na OAB foi em 2012, quando Jardim Rodrigues, por 589 contra 339 votos, derrotou o advogado Sanderson Moura.
O fato novo é que agora haverá eleição, após quase 10 anos.
A categoria está bem mobilizada. Parece que há um clima de mudança.
Erick Venâncio tem, claramente, o apoio do governo do Estado.
Basta ver o empenho de membros da Procuradoria-Geral do Estado e até do líder do governo na Assembleia Legislativa, Pedro Longo na sua candidatura.
Não é para menos. O atual presidente da OAB foi ou é advogado do governador Gladson Cameli. São amigos.
Dizer que Venâncio não tem vínculo com a política é brincar com a história. Ele vem de uma tradicional família do MDB, partido do qual o seu pai, Armando Dantas, foi uma das figuras proeminente.
Rodrigo Aiache, por sua vez, vem pregando a necessidade de renovação e transparência.
Os seus adversários propagam que, por ser casado com uma das filhas do ex-governador Jorge Viana, pode politizar a entidade.
Não é verdade.
A entidade já é politizada.
Se for levar ao pé da letra, vendo as posturas e os históricos, Venâncio tem muito mais vinculação com os políticos do que Aiache.
Essa politização está mais eviscerada agora nesse processo eleitoral que ainda está começando.
O presidente municipal do PDT, Cícero André, foi escolhido para presidir a comissão Eleitoral da OAB-AC.
O partido é da base aliada do governo. É de domínio público que pessoas próximas a ele são cabos eleitorais que estão na linha de frente da campanha de Venâncio.
Adherbal Maximiliano passou quase 40 anos à frente da OAB.
O atual grupo vai mover montanhas para chegar aos 18 anos e, se deixarem, é certo que irão tentar praticamente se perpetuar.
Com toda vênia, alternar sempre é bom e areja qualquer ambiente.
Um último detalhe: é importante a chapa de oposição ficar atenta na quantidade de pessoas que quitarão as suas anuidades nos próximos dias.
