O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou um pedido oficial à Justiça para impedir que o ex-governador Gladson Cameli (PP) concorra ao Senado nas eleições de 2026. O motivo principal é a recente condenação de Cameli a 25 anos e 9 meses de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, sob a acusação de chefiar um esquema de corrupção no governo do Acre.
Para convencer a Justiça Eleitoral a barrar a candidatura, os procuradores usaram três argumentos centrais, baseados na Lei da Ficha Limpa. Abaixo, explicamos cada um deles de forma simples e direta:
Uma condenação por um grupo de juízes já é suficiente
Pela Lei da Ficha Limpa, um político não precisa ter esgotado todos os seus recursos na Justiça (o chamado “trânsito em julgado”) para ficar impedido de disputar uma eleição. Basta que ele tenha sido condenado por um tribunal formado por um grupo de juízes. Como a condenação de Cameli foi decidida pela Corte Especial do STJ (um grupo de ministros), a lei já se aplica a ele.
Ficar de fora da eleição não é uma punição criminal
A defesa de políticos costuma argumentar que eles não podem ser barrados enquanto ainda recorrem da sentença de prisão. Porém, o Ministério Público explica que barrar uma candidatura não é o mesmo que mandar alguém para a cadeia. A inelegibilidade é apenas uma regra eleitoral: se o candidato não tem a “ficha limpa”, ele simplesmente perde o direito de ser votado naquele momento. Além disso, até agora, Cameli não conseguiu nenhuma decisão provisória (liminar) que suspenda essa regra no caso dele.
“Nada Consta” local não anula a condenação em Brasília
Ao registrar sua candidatura, Cameli apresentou documentos das justiças Estadual e Federal do Acre mostrando que ele tem a ficha limpa nos tribunais de primeira instância. O problema, segundo o MPE, é que esses documentos regionais não apagam a realidade: existe uma condenação gravíssima contra ele correndo na esfera superior, em Brasília.
O que diz a condenação do STJ?
O julgamento que complicou a situação do ex-governador concluiu que ele usou seu cargo para liderar um grupo criminoso organizado. Veja os principais pontos apontados pelos ministros:
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Divisão de tarefas: O esquema funcionava dentro do governo estadual com divisões claras entre núcleos de empresários, políticos e familiares.
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Provas: O STJ considerou que e-mails, mensagens de texto e depoimentos provaram que o ex-governador agiu com intenção de cometer os crimes.
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Desvio de dinheiro: Estima-se um prejuízo de mais de 16 milhões de reais aos cofres públicos, envolvendo fraudes em contratos e empresas terceirizadas.
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Punição: Além dos quase 26 anos de prisão, a pena exige o pagamento de multas e devolução de 11,7 milhões de reais.
O que diz Gladson Cameli?
Apesar do pedido do Ministério Público, Cameli garante que não vai desistir. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ele tentou tranquilizar seus apoiadores e afirmou que a ação já era esperada.
Ele declarou que continua sendo pré-candidato, que está buscando seus direitos na Justiça para concorrer à vaga no Senado e que deixará a decisão final nas mãos de “Deus e do povo”.
A palavra final agora é da Justiça Eleitoral, que precisará julgar se aplica a Lei da Ficha Limpa imediatamente, barrando o registro, ou se aceita os argumentos da defesa de Cameli.
