PORONGA – Operação contra Eduardo Velloso pode ser a porta de entrada para novos escândalos

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Frase: “Demore o tempo que for necessário para decidir o que você quer da vida, e depois que decidir não recue ante nenhum pretexto, porque o mundi tentará te dissuadir”, Friedrich Nietzsche

Inicio do show

Essa operação da PF e a CGU que chegou ao deputado federal Eduardo Velloso e ao ex-prefeito de Sena Madureira Mazinho Serafim é apenas o início do show, do espetáculo que políticos têm promovido com as emendas parlamentares.

Ponta do novelo

Se for puxado o esquema, logo será comprovado que esse à apenas a ponta do novelo. Praticamente todos os shows promovidos nos últimos anos, com dancinhas de políticos nos palcos, contam com as tais “emendas pix”. Se investigarem, muita gente cai. Os valores pagos aos artistas são astronômicos.

Porta de entrada

Segundo fonte consultada por este Espinhoso, essa operação foi apenas a porta de entrada para novas investigações. Há outros peixes dançarinos que podem ser fisgados na rede da ilegalidade. Há muito tempo eu venho falando sobre o tema.

Fora da ordem

Se visse o que está acontecendo no Acre, o cantor e poeta Caetano Veloso diria que, realmente, as coisas estão completamente fora da ordem. Vivemos um período sombrio e, quando olhamos no horizonte, percebemos que é remota a possibilidade de as coisas clarearem a curto espaço de tempo.

Chovem pedidos

Sou uma pessoa atuante nas redes sociais. Faço isso porque gosto e preciso, em razão da minha atuação profissional. Dentro daquilo que considero estar fora da ordem, tenho observado que, nos últimos meses, tem chovido pedidos de ajuda no ciber-universo.

Mais variados

A gente abre as redes e, diariamente, se depara com os mais variados tipos de pedidos de ajuda. Curiosamente, a maioria se refere à contribuição para tratamento de saúde. Mas há até para traslado de corpos de parentes que faleceram em outra unidade da federação.

Poder da solidariedade

Pelo o que acompanho, apesar de vivermos numa sociedade cada vez mais individualista, o poder da solidariedade tem se manifestado. Na maioria das vezes, quem pede consegue o objetivo. Mas será que não está faltando algo?

Omissão estatal

Penso que, embora haja muita solidariedade, aqueles que deveriam dar proteção aos cidadãos se omitem. Se há essa enxurrada de pedidos é porque o poder público se mostra omisso, não cumpre com as suas obrigações básicas.

Tempo de descaso

Sempre que posso, eu dou a minha contribuição. Mas, obviamente, não dá para contribuir com tanta gente. Se assim fizesse, faltaria recurso até para a minha subsistência. Penso que a maioria das pessoas se enquadra no meu caso. Os cidadãos e cidadãs solidários não podem suprir o tempo de descaso em que vivemos.

Olhando as urnas

Vivemos numa sociedade doente e adoecida pelo ódio que permeia a maioria dos debates. Aqueles que estão no poder só enxergam a próxima eleição. A maioria da população não ver quem tem projeto para melhorar as condições de vida. Nem sempre a solidariedade supera a necessidade. Pensemos nisso…

Trecho da música

Aqui cabe reproduzir um trecho da música de Caetano Veloso:

“Vapor barato um mero serviçal do narcotráfico

Foi encontrado na ruína de uma escola em construção

Aqui tudo parece que era ainda construção e já é ruína

Tudo é menino, menina no olho da rua

O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo prá lua

Nada continua

E o cano da pistola que as crianças mordem

Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito mais bonita

E muito mais intensa do que no cartão postal

Alguma coisa está fora da ordem

Fora da nova ordem mundial

Alguma coisa está fora da ordem

Fora da nova ordem mundial”.

Candidatura de vice

Um fato curioso. Desde a primeira eleição direta para governador, ainda sob a vigência da ditadura militar, Mailza Assis, a quase Cameli, é segunda pessoa que ocupa a vice-governadoria  a querer disputar a titularidade como governante. Já tinha parado para pensar nisso?

Nabor e Iolanda

A primeira eleição pós o golpe de 1964 foi em 1982. Nabor Júnior ganhou, tendo Iolanda Lima como vice. Ela assumiu, sendo a primeira mulher no Brasil a governar um estado. Nabor renunciou , em 1986, para concorrer ao Senado. Na época não havia reeleição.

Flaviano e Cadaxo

Iolanda Lima foi sucedida por Flaviano Melo, eleito com Edson Cadaxo na condição de vice, nas eleições de 1986. Flaviano renunciou em 1990 e Cadaxo assumiu o  posto.

Edmundo e Romildo

Edson Cadaxo entregou a faixa de governador a Edmundo Pinto, que teve como vice Romildo Magalhães. Ambos eram deputados estaduais. Pinto foi assassinado num hotel de luxo em São Paulo, em maio de 1992. Magalhães virou governador.

Orleir e Jorge

Após fazer um governo desastroso, Romildo Magalhães foi sucedido por Orleir Cameli, que tinha Labib Murad como vice. Cameli entregou o governo a Jorge Viana, que “convocou” Edson Cadaxo para ser o seu companheiro de chapa. Nenhum dos vices tentou alçar voos mais altos.

Binho, de vice a governador

De perfil extremamente técnico, o professor Binho Marques foi companheiro de Jorge Viana no segundo mandato Empurrado pela força de um projeto político, Marques foi eleito governador em 2006. Cumpriu um mandato e não concorreu à reeleição.

Marina e Tião

Ao contrário de Mailza Assis, Binho Marques não ambicionava ser governador. Foi conduzido ao posto de candidato por dois fatores importantes. Marina Silva declinou ao convite. Tião Viana não podia concorrer por ser irmão de Jorge Viana. Essa é a história.   

Posses no MPE

Oswaldo D’Albuquerque Lima toma posse como procurador-geral do Ministério Público Estadual nesta nesta sexta-feira, às 18 horas, no auditório do Detran. Na mesma solenidade, Patricia Rêgo assume como corregedora. Não estarei presente, mas fui convidado. Desejo que os novos comandantes devolvam ao parquet o protagonismo no combate aos mal feitos cometidos na administração estadual.

A BR e os votos

Se prometeu, tem que cumprir. Mas farei uma pergunta: os votos do presidente Lula irão aumentar ou diminuir se ele mandar asfaltar a BR-364 até Cruzeiro do Sul? Tenho a minha opinião. Qual é a sua?

Obra importante

Até 20214, quando a BR-364, estava sob a responsabilidade do governo do Acre, por meio do Deracre, andei muito na rodovia. As visitas feitas pelo governador Tião Viana eram quase semanais. Depois, principalmente a partir de 2016, quando Michel Temer e a sua turma deram um golpe na Dilma Rousseff, a estrada foi praticamente abandonada.

Anos de Bolsonaro

Depois de Temer, veio o governo do presidiário Jair Bolsonaro. É desnecessário dizer que ele nem olhou para a 364. E o detendo tinha como ministro de Infraestrutura Tarcisio Freitas, que hoje governa São Paulo. Eu critico o hoje, mas não esqueço o passado.