
Gladson Cameli tem poucos méritos, mas ao menos um não lhe pode ser retirado: ele sabe o preço de cada um dos integrantes da sua base na Assembleia Legislativa (Aleac).
Ainda no primeiro semestre deste ano, quando os deputados derrubaram os seus vetos, o governador usou a caneta e o Diário Oficial para expor e revelar que os parlamentares tinham preço
Cameli demitiu 340 cargos de indicados pelos deputados de sua base. Humilhados e domesticados, os nobres pediram o retorno das suas indicações. Ganharam os cargos, perderam a moral.
Desde o episódio das 340 demissões e posteriores readmissões que Cameli aprova tudo na Aleac, mesmo que atropele o regimento interno do Legislativo e à Constituição Estadual.

Nos últimos dias preparou o cenário para o espetáculo deprimente para aprovar a reforma administrativa. Queria a aprovação a toque de caixa, mas esbarrou na oposição nos servidores públicos.
Pressionado, o governo fingiu recuar. Disfarçou-se de democrata, mas hoje a máscara foi ao chão.
Desde as primeiras horas desta terça-feira, o centro de Rio Branco foi tomado por um fortíssimo aparato policial.
A Aleac foi cercada por policiais, o acesso à chamada Casa do Povo foi restringido ao povo.
Longe dos servidores, os deputados aprovaram a reforma que vai mexer negativamente nas vidas de mais de 40 mil pessoas.

A aprovação contou com votos de deputados que fazem parte de partidos que são contrários à reforma em nível nacional, como Manoel Morais (PSB) e José Luiz Tchê (PDT).
Morais e Tchê são homens de negócio. A política é apenas o meio para viabilizarem as transações.
Como foi dito no início, Gladson Cameli conhece o preço de cada um. Soube fazer o negócio com aqueles que têm preços, mas estão longe de ter valor.
O que se viu hoje entrou para a história como uma página trágica, onde a democracia foi pisoteada.
A reforma foi aprovada desrespeitando o que determina o regimento interno da Aleac e deverá ser pauta na Justiça.
As imagens serão anexadas as biografias de Gladson Cameli, Wherles Rocha e do fraco presidente da Aleac, Nicolau Júnior.
Foi um Dia de Vergonha.
